Há lugares que nos fazem ver o mundo com novos olhos.
A minha viagem a Cuba foi um desses encontros: um espelho inesperado que me mostrou, entre sorrisos, silêncios e ruas gastas, a beleza de viver com pouco e a profundidade de quem tem muito dentro de si.
O que mais me impactou foi a sensação de estar desligada do mundo. Lá, a internet é quase um segredo: surge em praças específicas, em horários incertos, como se fosse um pequeno milagre tecnológico que não faz parte do dia a dia.
Havia espanto ( e alegria pura ) quando, ao tirarmos uma selfie, mostrávamos o reflexo deles no ecrã do telemóvel. Alguns nunca se tinham visto assim, de tão imediato, e riam-se como crianças a descobrir a própria imagem.
Nas casas onde fiquei, fui recebida com carinho desarmante. Não importa quão humilde fosse a casa: os donos ofereciam sempre o melhor quarto ao hóspede, como se dar o melhor fosse uma lei não escrita. E quanto mais simples era a casa, maiores eram os pequenos-almoços — como se a generosidade não dependesse do que se tem, mas do que se é.
As estradas, por vezes esburacadas, levavam-me por paisagens de campos de cultivo, por terra batida e por vidas de um quotidiano essencial, quase parado no tempo. E depois, como um choque, chegava-se ao resort: um contraste tão grande que tornava impossível não sentir que o mundo está dividido em bolhas que raramente se tocam.
Em Cuba, aprendi que o luxo não está no que possuímos mas na forma como acolhemos o outro.
Entre cafés fortes, sorrisos largos e histórias contadas com os olhos, descobri que, às vezes, para encontrar o essencial, é preciso perder a ligação, não à internet, mas ao que julgamos ser imprescindível.